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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Mediunidade infantil

Com quatro anos de idade, Yvonne Pereira já dizia ver e ouvir espíritos, os quais considerava como pessoas normais. Dois dos amigos invisíveis que apareciam com mais frequência eram Charles, que ela considerava o seu verdadeiro pai devido a lembranças que teria de uma encarnação anterior, em que esta entidade teria sido seu pai e Roberto de Canalejas, que teria sido um médico espanhol de meados do século XIX. Estas visões perturbavam-na muito pela saudade que lhe provocavam, do que teria sido uma encarnação anterior, em Espanha, e que dizia recordar com clareza.

 

Francisco Neto relata que, à noite, escutava passos e ruídos. Diz ele: «Pessoas atravessavam os soa­lhos de madeira e vinham dialogar comigo sobre vários assuntos. Algumas pessoas saíam dos quadros pendurados na parede do quarto, principalmente de um que ficava bem em frente de minha cama, o de São Domingos de Sávio, um dos santos considerados protetores da juventude católica. Com o tempo fui-me acostumando com esses fenómenos e eles já nem me assustavam mais. Eu atribuía isso tudo à minha mente imaginativa de criança que soltava o pensamento, enquanto esperava o sono chegar».

 

Desde os 4 anos de idade Chico Xavier teve a sua vida assinalada por singulares manifestações. Seu pai chegou, inclusive, a crer que o seu verdadeiro filho havia sido trocado por outro... Aquele seu filho era estranho! Sentia-se sempre acompanhado por "sombras" amigas... Conversava com a mãe desencarnada, que o deixara órfão aos cinco anos, ouvia vozes confortadoras. Na escola, sentia a presença delas, auxiliando-o nas tarefas habituais.

 

Outras situações relativamente vulgares são ver as pessoas com cor cinzenta ou azulada e percecionar que vão morrer ou já morreram ou ver o corpo da pessoa como se fosse transparente e percecionar órgãos doentes. Também é vulgar a descrição de crianças não só verem as imagens sair dos quadros como serem elas a lá entrarem.

 

A medicina convencional analisa estas situações com duas abordagens tradicionais: «Há momentos em que a ilusão predomina e a criança transforma em real o que é apenas o seu desejo inconsciente. Ao brincar com um amigo imaginário, ela nega a solidão e cria um espaço no qual é dona e senhora. Já falar com parentes falecidos é uma forma de negar uma realidade dolorosa» refere a psicanalista Ana Maria Sigal. Para o pediatra Leonardo Posternak esse tipo de fantasia permite à garotada chamar a atenção. Segundo ele, as crianças percebem se os pais demonstram admiração pelo seu suposto dom. Ou então aproveitam-se do carinho especial recebido quando os pais desconfiam que o filho tem algum distúrbio psíquico. Apesar disso, Posternak acrescenta: «É importante que sejamos humildes para admitir que muita coisa ainda escapa à medicina cartesiana. Em vez de dizer aos pais que o filho não tem nada ou que os sintomas vão passar, seria mais honesto dizer que a medicina vigente não é capaz de diagnosticar o que se passa com ele». A psicóloga infantil Athena Drewes defende que «crianças com menos de sete anos não vêem nada de anormal nessas experiências. Elas aceitam-nas até que outras pessoas comecem a reagir negativamente aos seus relatos. O bloqueio ocorre ao entrarem na escola e descobrirem que nem todos vivem as mesmas experiências».

Uma explicação mais completa é dada por Sérgio Felipe de Oliveira, diretor da Associação Médico-Espírita de São Paulo: «A mediunidade nada mais é do que uma actividade sensorial – como a visão e o olfacto – capaz de captar estímulos do mundo extra físico. O órgão responsável pela mediunidade é a glândula pineal, localizada no cérebro, que controla também o ritmo de crescimento e, na adolescência, avisa a hora de dar início à libertação das hormonas sexuais. Descrita por Descartes como a sede da alma em 1641, a pineal tem sido pesquisada há séculos e, desde a década de 1980, está comprovada a sua capacidade de converter ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos». Exames neurológicos em pacientes em transe comprovam a actividade na pineal durante esses momentos. «Ela é uma espécie de antena que capta estímulos da alma de outras pessoas, vivas ou mortas, como se fosse um olho sensível à energia eletromagnética».

Mas nem sempre a convivência com o sobrenatural é tranquila. Agnes Henriques Leal, autora do livro Mediunidade em crianças, chama a atenção para o facto de, por vezes, os amiguinhos imaginários serem substituídos por monstros que atrapalham o sono dos pequenos e os tornam arredios, agressivos ou profundamente tímidos. Há crianças que se dizem assombradas por imagens de espíritos que vagueiam com ferimentos ou fraturas expostas, exatamente como estavam quando morreram. Também é possível que um espírito persiga uma criança por se sentir prejudicado por ela numa vida anterior.

Que fazer então?

Como em tudo na vida não há receitas, mas o bom senso ajuda. Nenhum auxílio científico deve ser desprezado. Primeiro, deve-se procurar um profissional de saúde. Se o resultado não for satisfatório, procurar então outro tipo de ajuda. Uma opção razoável é consultar um especialista que seja ao mesmo tempo médico e estudioso da espiritualidade. Há muitos psiquiatras adeptos da espiritualidade que atendem crianças e adultos atormentados por fenómenos inexplicáveis. Falhando a explicação tradicional, a criança pode ser encaminhada para tratamento em centros de medicina alternativa ou de espiritualidade. Leituras diárias do Evangelho também ajudariam. Mas, como se realça no livro Experiências mediúnicas com crianças e adolescentes de Nazareno Tourinho, «se os pais não participarem do processo de cura, nada será atingido. Para tanto, deverão […] dispor-se a estabelecer, no lar, um clima vibratório de harmonia e paz». Herculano Pires defende que a mediunidade se desenvolve num processo de relação. O desenvolvimento é cíclico, em etapas sucessivas, em forma de espiral. No primeiro ciclo, a criança projeta a sua alma nas coisas e nos seres que a rodeiam, recebem intuições orientadoras dos seus protetores, que as religiões chamam de anjos da guarda, e não raro transmitem avisos e recados dos espíritos aos familiares. Quando passam dos sete ou oito anos desligam-se progressivamente das relações espirituais ganhando mais relevância as relações humanas. O espírito ajusta-se ao seu escafandro para enfrentar os problemas do mundo. Considera-se então que a criança não tem mediunidade, a fase anterior é levada à conta da imaginação e efabulação infantis. O segundo ciclo inicia-se a partir dos doze ou treze anos e o terceiro entre os dezoito e os vinte e cinco. Há ainda um quarto ciclo, que aparece na velhice ou na sua aproximação.

publicado por smiguelterapias às 22:19
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